Mídias Sociais: a vitória das pequenas conversas


As chamadas mídias sócias são ferramentas disponíveis na internet que permitem indivíduos iniciarem conversações, muitas vezes assíncronas, entre indivíduos em nível “todos para todos”, subvertendo a lógica tradicional das mídias de massa, de “um para todos”. Raquel Recuero cita as características deste tipo de mídia.

  • Emergência de Redes Sociais: As mídias sociais possibilitam a interação entre indivíduos, permitindo a formação de laços sociais em um ambiente onde essas conversações continuam a existir mesmo depois de os participantes se vão, permitindo que outros indivíduos possam encontra-las e possivelmente juntando-se à conversação, de maneira assíncrona, formando grupos que podem formar comunidades virtuais.
  • Emergência de Capital Social Mediado: Dentro das mídias sociais, os usuários podem gerar um tipo de capital social que pode ser percebido por indivíduos externos. Ao contrário do capital social comum, que é desenvolvido e melhor percebido através da interação com os componentes do grupo, o fato de que essas regras sociais ficam, em geral, registradas de maneira aberta, acessível a quem acessa a mídia social.
  • Conversação: os laços sociais nesse tipo de mídia se estabelecem através da conversação. Conversas entre indivíduos ou entre indivíduos e grupos podem gerar laços, que por sua vez podem levar a engajamentos para ação ou mudar opiniões. Novamente pela capacidade de registro e resgate de informações, as conversas podem ser assíncronas.
  • Diversidade de Fluxos de informações: A possibilidade de inclusão rápida em uma conversação facilita a exposição de pontos de vista e modos de diálogos diferentes. Assim, nas mídias sociais diferentes fluxos de informação (convergentes, divergentes ou neutras), em formas diferenciadas (fotos, texto, som, vídeo, etc.), convivem no mesmo espaço. Recuero diz que “A diversidade desses fluxos é uma característica desse tipo de mídia, consequência direta da Sociedade da Informação e das trocas sociais dos atores”.
  • Apropriação Criativa: No começo, o Twitter perguntava a seus usuários “O que você está fazendo?”. A pergunta quase nunca era respondida, com outros conteúdos tomando espaço, até que a pergunta foi substituída para “O que está acontecendo?”. Os usuários de sites de mídias sociais frequentemente subvertem sua utilidade inicial, adaptando-a a seus interesses particulares ou grupais, o que representa uma evolução nos valores e no modo como as pessoas se relacionam com as mídias em questão. Recuero afirma que “Uma mídia social que deixa de apresentar usos criativos está fadada.”

Então as chamadas mídias sociais tem esse nome, pois está em seu cerne a geração de capital social através da interação entre seus usuários. O resultado final é que muitas vezes essa capacidade de gerar algum tipo de sociabilidade é mal interpretada: as redes sociais e as mídias sociais são a mesma coisa? Onde termina uma e começa a outra? Jader Felix faz uma distinção magistral.

Para distinguir os conceitos, Jader define as redes sociais como o

(…) relacionamento de pessoas dentro de um grupo socialmente organizado. Em outras palavras, pessoas que se comunicam dentro de um grupo específico por afinidade de interesses. Chamamos de redes, pois esta foi uma forma figurativa adotada para definir um grupo de pessoas que estão ligadas de alguma forma.

Estas redes possuem as características citadas por Recuero, “trocando informações [diversidade de fluxos de informações], organizando grupos exclusivos e inclusivos, criando diferentes modos de se relacionarem [apropriação criativa]”.

Pra definir as mídias sociais, jader retoma o sentido original de “media”,

que está diretamente associada a “meio”. Ou seja: “meio social”. Se entendermos dessa forma, “Mídia Social” se torna, de certa forma, outro nome para definir “Rede Social”, sendo que com outra abordagem: ao invés de se tratar da ligação entre as pessoas, tratar-se-ia do ambiente onde elas estão se relacionando.

Assim a palavra “mídia” está mais relacionada a “meio de comunicação”, um veículo que os usuários utilizam como meio de comunicação. A diferença aparece

no momento em que atentamos para o fato de que em “Mídia Social”, as pessoas se comunicam, individualmente, mas não entre si, pois não geram uma “rede” de relacionamento.

Jader fala de situações onde não existem laços criados entre os usuários, onde estes apenas divulgam informações, mas não praticam conversações. O fato de o foco estar nas informações, e não nas pessoas, dá a este uso das mídias sociais uma semelhança às mídias de massa, um modelo um para todos. Mas essa semelhança logo é desfeita, pois atualmente todas as mídias sociais têm mecanismos de conversação entre os emissores e receptores, através de mensagem direta ou sistemas de comentários.

Assim, são as mídias sociais que permitem a criação de redes sociais virtuais na internet, através de ferramentas de mensagens diretas, fóruns, comunidades virtuais e etc. E os interesses destas redes sociais acabam por influenciar fatores externos a elas mesmas, ao mesmo tempo em que os influenciam. Veremos a seguir como os conteúdos no Pinterest e no Twitter influenciam o espirito dos tempos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s