Pinterest e Twitter: guia de uso


Pinterest e Twitter têm enfoques diferentes para permitir a seus usuários gerar e consumir quantidades dosadas de conteúdo, além de interagir com os outros usuários destes sites. Explicamos a seguir seus modos de funcionamento, e adiante explicamos como ambos se encaixam dentro do conceito de mídia social. O entendimento do funcionamento e sua categorização em um campo de estudos já delimitado serão nossa base para entender as especificidades de cada um de nossos objetos de estudo.

Pinterest: cuidando dos interesses dos usuários.

O Pinterest pode ser entendido como um site de bookmarking social. Usando a metáfora de painéis, os usuários podem fixar pins (o verbo usado em português para ação de criar pins é pinnar) conteúdos relevantes espalhados pela Web a esses painéis, que tem como foco os interesses dos usuários, com títulos como “Favorite recipes”, “For the home” e “Products that I love” (“Receitas Favoritas, “Para a Casa” e “Produtos que amo”, respectivamente). Estes conteúdos só podem ser pinnados se na página original houver uma imagem, que pode ou não ser diretamente relacionada com o conteúdo exposto.

O resultado final é uma página em que há a imagem em destaque, a descrição feita pelo usuário sobre o conteúdo e logo abaixo um espaço para comentários. Ainda mais abaixo existem mais informações sobre o pin, tais como quem “curtiu” e quem replicou o conteúdo, através da ferramenta repin(a versão em português do site exibe a opção “Repinar”). Na lateral direita são exibidas as possibilidades de publicar o pin nos sites Facebook e Twitter, bem uma ferramenta para incorporar o pin a um site terceiro em que se possa editar diretamente o código HTML. É necessário clicar na imagem destacada para ser direcionado à página original do conteúdo.

O formato final do painel é uma coleção parcialmente linear de quadros contendo imagens e comentários sobre os conteúdos. Este modelo inovador de apresentação de conteúdo estimulou muitos grupos a imitá-lo. O grupo New York Times lançou o site Compendium, para que os pagantes do jornal possam montar narrativas usando conteúdo do site noticioso. O Pinstagram é uma maneira de reorganizar a apresentação das fotos publicadas no site Instagram. No Facebook, o aplicativo Freindsheet organiza o conteúdo criado pelos usuários em forma de um painel. E mesmo fora da internet, há quem seja influenciado pelo design do Pinterest. Um shopping center criou um painel físico similar simulando os do Pinterest e o vinculou a um painel on-line no site. Clientes podem participar de promoções para ganhar prêmios exibidos no painel físico.

Se a metáfora do Pinterest é o painel, a nós parece que ela também se aproxima de uma metáfora de scrapbooking. Scrapbooks são cadernos decorados, onde os donos colecionam fotos familiares e de amigos, além de pequenos objetos relevantes, como folhas de árvores de estações significativas, souvenires recebidos como presentes e outras pequenezas sentimentalmente significativas.

Afirmamos que há paralelos entre o Pinterest e a atividade de scrapbooking, pois, tanto no site quanto nos cadernos decorados, o foco é no passado: o Pinterest é um depositório de conteúdos relevantes para seus interesses, que podem ser facilmente recuperados, já que estes conteúdos estão divididos nos quadros temáticos; e os scrapbooks guardam boas recordações da vida pessoal de quem os possui.

Ambos têm uma função de cuidar do passado, fazer uma curadoria do que aconteceu, na internet e na intimidade. Falaremos em outro momento adiante sobre o conceito de curadoria e como ela se aplica ao Pinterest.

Twitter: termômetro do agora.

O Twitter é um serviço de micloblogging criado em 2006, inicialmente difundido entre entusiastas da tecnologia da informação, que posteriormente ganhou a adesão de celebridades, que publicavam detalhes inacessíveis de seu dia-a-dia; assim a ferramenta ganhou atenção da mídia de massa e consequentemente de segmentos mais gerais da sociedade.

O site não tem uma função específica como rede social. Ao contrário de outras redes onde o foco é na relação com indivíduos, como Orkut ou Facebook, o Twitter tem a peculiaridade de servir mais como mídia social: o foco não se encontra nas pessoas em si, mas nas informações que elas publicam em seus perfis, as ideias, noticias ou construções que constroem as identidades de cada perfil.

O idealizador, Jack Dorsey, inspirou-se nos taxistas, que podiam dar sua localização às bases através de rádio. Se os taxistas podiam dizer onde estavam e o que estavam fazendo, por que qualquer um não poderia fazê-lo? Dorsey convenceu Evan Williams, criador do Blogger, atual plataforma de blogs do Google, a apostar em sua ideia. Quando o site foi lançado, instigava as pessoas a responder “o quê você está fazendo?”. Porém só uma pequena parte dos usuários respondia a esta pergunta apropriadamente. No estudo “Twitter: Expressions of the Whole Self, an investigation in touser appropriation of a web-based communications platform”, Edward Mischaud mostrou que apenas 35% dos usuários o faziam, sendo que o restante foi classificado da seguinte maneira:

“ ‘Pessoal’ (pensamentos e detalhes sobre a vida do usuário); ‘Família/Amigos’ (mensagens direcionadas a uma pessoa específica; sentimentos ou pontos de vista sobre outra pessoa); ‘Informação’ (informação e notícias); ‘Trabalho’ (referências ao local de trabalho, colegas, ou tarefas diárias); ‘Conversa pequena’ (compressão dos sub-temas ‘Comida’, ‘Cultura Popular’, e ‘Tempo’); ‘Tecnologia’; e ‘Atividade’ (eventos que acontecem ou tarefas completadas) e ‘Miscelânea’, formado por postagens inclassificáveis”.

Assim, a maior parte do conteúdo do Twitter remete a assuntos radicalmente contemporâneos, com vida útil bastante curta para discussões. Tentado ser uma espécie de termômetro para o agora, atualmente o Twitter expõe para o usuário a pergunta “o quê está acontecendo?”. O foco no urgente, nos assuntos que estão em discussão acalorada neste momento, o Twitter se torna “Uma verdadeira ágora digital global: universidade, clube de entretenimento, ‘termômetro’ social e político, instrumento de resistência civil, palco cultural, arena de conversações contínuas”, nas palavras de Lucia Santaella e Renata Lemos.

Esta dinâmica se dá através da seleção de canais de informação para o recebimento de informações, “seguindo” os perfis com que divulgam informações que mais aprazem os usuários. O fluxo de informação recebido é de inteira responsabilidade do usuário, escolhendo quem irá fazer parte do seu “cardápio informacional”, criando um canal de recebimento de informações que é único e personalizado. O atual lema do Twitter, “Follow your interests”, mostra a intenção do site em ser um “lugar” onde seus usuários podem ficar interconectados e informados sobre os assuntos que lhes são relevantes.

As ações ocorrem sobre uma estrutura que possibilita a transmissão de informações de maneira fácil e simplificada. O usuário pode “tweetar” um texto puro de até 140 caracteres, um texto junto com um hiperlink (que atualmente é reduzido pelo próprio Twitter, e ocupa cerca de 20 caracteres) ou um texto acompanhado de uma foto (que agora pode ser enviada sem auxílio de sites terceiros, tais como Instagram  ou yfrog ). Ainda é possível anexar ao texto a informação sobre o local de onde está sendo enviado o texto, através de geolocalização.

A interação entre as contas do Twitter é feita através das ferramentas reply, direct message e retweet. O reply é uma espécie de resposta pública, aberta a toda a todos os usuários da internet, mecanismos de busca e interessados. O direct message é uma mensagem privada que só pode ser efetuada entre usuários que seguem um ao outro. O retweet é a ferramenta que permite a retransmissão de informações. Ao clicar no botão de “retweetar”, todos os seguidores da conta receberão a mensagem. Quem recebe a mensagem “retweetada” pode fazer retweet novamente, amplificando o recebimento da mensagem. Sobre a função, Alex Primo argumenta que “um simples retweet pode não apenas ampliar o alcance de uma informação, mas também criar novas conexões, motivar debates a partir de uma perspectiva diferente, e até mesmo gerar uma ação coletiva em rede”.

Saber como o Twitter e o Pinterest funcionam torna mais fácil ver como eles se encaixam na área de estudos das mídias sociais, para em seguida ver como estes dois agentes se encaixam em outras tendências maiores que influenciam tanto dentro como fora da internet. Veremos a seguir.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s