A Pré-História do Pinterest e do Twitter


Os seres humanos praticam comunicação em seus respectivos ambientes. Dos locais mais específicos, como seus lares e vizinhanças, ao mais geral (por enquanto), o planeta Terra. Partindo primeiramente de formas rudimentares de comunicação verbal, os seres humanos usaram as informações emitidas em ondas sonoras para as mais diversas finalidades: comunicar sentimentos, avisar sobre perigos, dar ordens, influenciar comportamentos e etc. Mas que registros existem de que essas informações existiram?

O começo da comunicação efetiva entre os primeiros hominídeos se perdeu no tempo, pois as palavras não se sustentam em termos temporais. Tão logo as ondas sonoras se dissipam, não existe mais indicio físico do que foi dito. Quando muito a informação era decodificada e armazenada nos cérebros dos emissores e receptores para ser resgatada em situações posteriores. Um método precário.

O esquecimento favorecido pelo tempo, os neurônios deteriorados, um dano no cérebro ou ainda a morte destruíam permanentemente as informações transmitidas através de vocalizações. A comunicação oral vive no território do efêmero.

Após o desenvolvimento da escrita, a informação pôde ganhar tempo de vida virtualmente perene. Os ritos e as revelações dos deuses, as leis e os discursos dos líderes e estadistas puderam ser transformados em uma forma de informação que poderia ser recuperada em momentos posteriores. Porém havia – e ainda há – um custo.

Trabalhar as tabuinhas babilônicas, os pergaminhos gregos e romanos, diagramar e imprimir os jornais. Tudo isso pode consumir uma quantidade enorme de recursos, humanos e materiais, além de requisitar espaços de armazenamento e métodos de indexação. Todos esses esforços podem muitas vezes ser sobre-humanos, então nem toda informação era transformada em escrita.

Os historiadores precisavam filtrar os acontecimentos realmente importantes e posteriormente os responsáveis por guardar o conhecimento escrito precisavam constantemente decidir o que descartar, já que os espaços de armazenamento eram limitados. De certa forma, existia uma espécie de cadeia de curadoria da informação. As informações eram julgadas importantes ou não dependendo de interesses impostos por contextos pessoais, econômicos, sociais e políticos.

Saltando no tempo até a época contemporânea, encontramos paralelos na maneira como os seres humanos lidam com a informação. Mesmo com as facilidades de publicação dos sistemas de gerenciamento de conteúdo para internet, os jornalistas ainda precisam filtrar o que é realmente importante apresentar à sua audiência em meio à algazarra de acontecimentos no mundo. O futurista John Naisbitt diz que “os jornais constroem a história em tempo quase real”.

 Os sistemas de personalização de conteúdo para internet surgiram para atender as necessidades dos consumidores de conteúdo, sem que estes precisem garimpar uma quantidade enorme de textos ou imagens. Mas esses sistemas necessitam de mecanismos de busca robustos, como o Google, para catalogar esse conteúdo e então avaliar o que é relevante. Porém esses mesmos mecanismos de buscas ainda precisam indexar e organizar esse conteúdo, o que ainda depende em grande parte de técnicas de indexação que precisam ser implementadas pelos próprios produtores de conteúdo. Ou seja, após o conteúdo ser produzido, ele ainda precisa ser indexado e catalogado para ser eficientemente recuperado. A mentalidade com que o ser humano trata a informação, formalmente ou informalmente, não mudou em termos gerais nos últimos séculos.

Essas duas mentalidades refletem bastante nossos objetos de estudo, o Pinterest e o Twitter. Estas ditas mídias sociais refletem de maneira clara esta dicotomia entre a ênfase no registro e a ênfase no efêmero. O Pinterest agindo quase como scrapbook, onde os usuários guardam e compartilham textos, imagens e vídeos de assuntos que julgam especiais. E o Twitter se esforçando para ser um termômetro do agora, entregando furos de reportagens ou cobrindo em tempo real situações em todo o planeta.

Sendo frutos de seu tempo, ambos acabam servindo para influenciar (e serem influenciados por) movimentos e tendências maiores. Veremos como cada um destes atores age dentro da questão do enfraquecimento da cultura textual e o fortalecimento da cultura visual; como jogam com a migração dos usuários de dispositivos fixos para dispositivos móveis e sua consequência, a diminuição do uso da Web para o aumento do uso de aplicativos proprietários.

Muitos desses movimentos partem de ações fora da internet, assim, ao reagir ou participar de todas essas tendências, veremos como nossos objetos de estudo influenciam ambientes externos aos seus, e teremos uma visão mais completa do panorama que se desenrolará nos próximos anos para estes dois fortes agentes da internet e como eles se influenciam.

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