The Corporation e a comunicação organizacional


The Corporation é um documentário canadense de 2003 escrito por Joel Bakan, baseado em seu livro “The Corporation: The Pathological Pursuit of Profit and Power”. O filme analisa os hábitos corporativos e faz uma análise psicológica do que entendemos como uma corporação, que resulta em um quadro de “distúrbio de personalidade antissocial”, psicopatia. Para nosso propósito, vamos analisar como a comunicação organizacional é tratada no documentário e como as corporações a utilizam.

(…)a comunicação organizacional no filme é vista como manipuladora dos fatos em benefício do lucro e do poder político das corporações(…)

A comunicação organizacional trata das relações comunicacionais entre pessoas jurídicas diversas (entidades governamentais, empresas de capital aberto, organizações não governamentais, etc.) e o público, composto tanto por outras pessoas jurídicas como por pessoas físicas (cidadãos comuns). O documentário é crítico sobre as corporações. Ele examina a corporação moderna quanto a seu status de pessoa jurídica, examinando suas ações e seus efeitos, tanto no mundo físico como na esfera pública, este último tópico mais especificamente na parte “Perception Mangement” (“gestão da percepção”).

Aqui entendemos que a comunicação nas organizações pode atuar de duas maneiras.

  • Através da criação de personas, vendendo e formatando percepções sobre as pessoas e o mundo que as cerca. A propagação constante de conceitos acerca de tribos da sociedade ou o uso de figuras com autoridade [legítima (um especialista na área) ou ilegítima (uma celebridade do entretenimento)] para validar ideias duvidosas que sejam favoráveis à continuidade ou aumento do lucro.
  • A comunicação organizacional também auxilia as corporações a comunicarem seus pontos de vista sobre situações correntes (na prática, esse ponto de vista corresponde ao de seus acionistas) e a ter uma “voz” que pode influenciar opiniões e legislações públicas. Interessante notar como a organização também cria uma persona para si, utilizando de figurações para ganhar um “rosto” e “personalidade”, como um ser humano real.

A prática é danosa porque a corporação, um sistema incrivelmente complexo e com órgãos especializados, tem um poder de persuasão e convencimento que acovarda opiniões contrárias. Os receptores da mensagem geralmente recebem uma versão parcial dos fatos e, como estão geralmente isolados de fontes comunicadoras de opinião contrária, assumem a versão corporativa como verdadeira.

Por isso a comunicação organizacional no filme é vista como manipuladora dos fatos em benefício do lucro e do poder político das corporações. Todos os exemplos mostrados no documentário são negativos.

Pode-se especular que esta tenha sido a intenção explícita dos realizadores do documentário, visto que no mesmo são mostrados exemplos de como as corporações trabalham suas imagens de modo a parecerem boas e desejáveis para o progresso humano.  Assim, a exposição panfletária das manipulações comunicacionais das corporações, ao invés de uma análise mais equilibrada e talvez imparcial, seria uma espécie de contrapartida, afinal a melhor maneira de equilibrar um balanço é sentando na outra ponta, não no meio.

Por isso entendo o filme como uma versão parcial necessária dos fatos, por isso não lhe faço críticas severas. A intenção do filme foi balancear o entendimento das corporações junto ao público, expondo o que existe por trás de toda aquela máscara de perfeição. As corporações criaram uma espécie de circulo vicioso onde o crescimento do lucro não pode parar, onde cada vez mais sacrifícios são necessários para aumentar as margens de lucro, sejam quais forem: humanos, ambientais, éticos ou morais. Esses sacrifícios geram outros problemas em outras esferas, onde surgem outras corporações para resolver tais problemas (com bastante lucro, obviamente), que por sua vez tem que fazer outros sacrifícios, reiniciando o ciclo.

Assim sendo, o documentário cumpre seu papel de mostrar informações contrárias às veiculadas na grande mídia, fornecendo ao cidadão informações úteis para refinar discernimento sobre a estrutura da sociedade atual.

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